O Valor da Vida Espiritual

Como vice-rei do Egito, Yossef comandou uma grande estocagem de alimentos durante os anos de fartura. Quando vieram os anos de fome, o Egito era o único país, que por ter economizado, possuía grande estoque de comida. Quando seus irmãos vieram ao Egito para comprar comida, Yossef revelouse a eles como seu irmão. Pediu a eles que não ficassem magoados por terem-no vendido como escravo, pois tudo isso ocorreu por Providência Divina, para que pudesse sustentá-los durante os anos em que a humanidade sofreria a falta de víveres.
Yossef ficou 22 anos longe de seu pai Yaacov, sem que este tivesse notícia alguma de seu paradeiro. Ao voltarem do Egito, seus irmãos disseram a Yaacov que Yossef estava vivo e que governava o Egito. Porém Yaacov não acreditou. Conforme consta na parashá: “Vayaguídu lo lemor: od Yossef chay vechi hu moshel bechol Êrets Mitsáyim.Vayafig libô ki lô heemin lahem” – E anunciaram-lhe dizendo: Yossef ainda vive e ele é governador de toda a terra do Egito. E não importou a seu coração, pois não acreditou neles” (Bereshit 45:26).
Nossos sábios perguntam por que os filhos de Yaacov não contaram primeiro sobre o estado de Yossef e sim que ele governava o Egito? Ora, o mais importante para um pai que fica tanto tempo sem ter notícias de seu filho, é saber como ele está e não o que ele é.
Respondendo a essa pergunta, o Ketav Sofer diz, em seu comentário sobre Meguilat Ester – em nome de seu pai, Chatam Sofer – que ao dizerem “Vechi hu moshel bechol Êrets Mitsráyim” – ele é governador de toda a terra do Egito – os filhos de Yaacov estavam se referindo ao seu estado espiritual. O Egito naquela época era o país em que a espiritualidade era secundária e o materialismo, o principal. Sabendo que para Yaacov, a maior preocupação em relação a seus filhos era saber seu grau de espiritualidade, seus filhos lhe disseram que Yossef é que governa sobre o Egito e não o Egito que governa sobre Yossef. Com isso deram a entender, que Yossef tinha controle absoluto sobre seu estado espiritual e não se deixava levar, em nenhum momento, pelos prazeres materiais e pelo modo de vida que o Egito apresentava. Mesmo distante do pai e do ambiente elevado dos irmãos, Yossef se manteve firme no seu alto nível espiritual.
O versículo seguinte (Bereshit 45:27) nos atesta, que Yossef não tinha caído espiritualmente. Quando viu as carroças (agalot) que Yossef lhe enviou,Yaacov acreditou definitivamente que Yossef continuava em seu status espiritual elevado. Yossef desta forma, enviou um sinal para Yaacov, indicando que ele resistiu com êxito e conservou seu vínculo com assuntos que Yaacov considerava prioritários. Conforme Rashi ex-plica: “Por intermédio das carroças, Yossef lembrou ao pai que o último assunto de Torá que estudaram juntos antes de se separarem, foi Eglá Arufá (Devarim 21).
Nesta mesma parashá, Yaacov e seus filhos vão ao Egito e Yaacov finalmente encontra-se face a face com Yossef. Sua reação chamou a atenção de nossos sábios, porque Yaacov dis-se a Yossef no momento do encontro: “Amuta hapaam acharê reoti et panêcha ki odechá chay” (Bereshit 46:30) – Já posso morrer agora, depois de ver teu rosto, pois ainda vives. O comentarista da Torá, Or Hachayim Hacadosh pergunta, o que Yaacov concluiu nesse momento que lhe era desconhecido? Ele responde que ainda restava a Yaacov uma dúvida, mas ao ver seu rosto certificou-se definitivamente que seu alto nível de espiritualidade foi resguardado. Os tsadikim (os justos) reconhecem o nível de seu semelhante, apenas olhando para seu rosto.
O Rei Shelomô diz em seu livro Cohêlet (8:1): “Chochmat adam tair panav” – A sabedoria do homem (o conhecimento da Torá que ele possui) ilumina seu semblante. O nível espiritual do indivíduo irradia luz para sua vida e para a vida daqueles que estão à sua volta.
 

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